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23/06/11

Sy

Hoje acordei, não um acordar despromovido de cansaço físico, mas um acordar repleto de um cansaço de doer.
Quem sou eu? Eu sou eu, e ninguém tem o direito de me fazer sentir menos eu.
Para viver é imperativo amar, e para amar há a imposição de sofrer. Mas sofrer até a um certo ponto, a partir daí torna-se inaceitável.
Estava disposta a tudo por ti, mas para quê? A pessoa que te tornas-te é quem? Eu não sei, mas sei quem sou. E sei que o meu Eu está cansado de todas as tuas fraudes, de todas as tuas atitudes depressivas e isoladoras.
Entende apenas isto, sou um ser humano, não um boneco, repeti-te isto vezes sem conta.
Acho que nunca entendeste, todos nós temos um ponto de limite de dor, e eu atingi o meu.
Sei que é ledo o engano que te cobre os olhos, mas eu já fiz tudo que me competia como tua namorada, melhor amiga, mulher, e pessoa.
A acção humana só é justificável até certo ponto, e este é o ponto.
Foste uma coisa muito boa na minha vida, mas neste momento o nosso amor é veneno nas nossa vidas. Não sei o que o futuro nos reserva, mas sei que não posso mais ficar parada à espera de algo que pode nunca vir.
Não me adianta mais estar aqui a enfeitar linhas intermináveis a dizer no que erraste e no que eu errei, ambos sabemos, e o que ainda não sabemos a vida vai-nos ensinar num futuro próximo.
Fizeste parte da minha vida, mas não posso deixar que usurpes a totalidade da minha vida. Nunca fui mulher disso, e se me esqueci disso, o Destino encarregou-se de me relembrar.
Preciso de me afastar, de me sentir bem. Preciso de guiar a minha vida na direcção que eu quero, em vez de fazer apenas aquilo que a tua vida me permite fazer.
Esqueci-me das minhas vontades e desejos, e não posso fazer isso.

22/06/11

Nim

R. és sem dúvida um amigo estupendo. Só te posso agradecer tudo.
A verdade é que sempre que conversamos, comungo um pouco da tua sapiência, e cresço um pouco. Vejo mais além, mais da vida.
De facto, és uma muleta em muitos aspectos da minha vida, orgulho-me imenso de te ter como Amigo.
Um Amigo com A grande. Tal se deve à tua presença constante em todos os momentos, mais do que isso, acho que se deve à atenção. Porque estar presente e estar atento são coisas diferentes, que nem sempre co-existem necessariamente. Mas toda a atenção que me dispões, todas as palavras que dizes na altura certa, significa muito.
Ensinas-me essencialmente a olhar por dentro de mim, - tal como Blimunda vê através das pessoas – ajudas-me a procurar as minhas vontades. Ensinas-me a ser eu, o eu que fui ontem, porque quem sou é a minha identidade, algo irrevogável que embora possa ser mutável ao longo do tempo, é a minha definição pessoal.
Hoje sorvi um pouco da tua experiência e escutei. Escutei uma versão diferente da Vida, para um encarar desigual da mesma.
Há que adoptar um bocado a filosofia de vida pessoana, a única certeza irrevocável da vida é a morte. Parece um pouco duro talvez, mas, no entanto, nada nos permite sentenciar nada como definitivo, nem devemos deixar a vida correr sem a tomar pelas rédeas uma vez, antes que ela acabe. Porque a vida é efémera, e esgota-se num ínfimo de segundo, expira-se sem datas, mas de forma espontânea às vezes até.
Para ser feliz são preciso duas coisas, viver e ter qualidade de vida.
Tudo isto para dizer, que é na qualidade de vida que te inseres, e que a amizade prospere durante muitos anos.





Um beijinho R.

19/06/11

Another day has come


Dei-te uma vida, um coração, uma alma sôfrega. Dei-te a mim.



Vivemos os mais bonitos momentos, que se eternizaram ao Olimpo de tamanha grandiosidade a sua. E agora?

Traçamos as linhas do Destino no céu, pintando de emoções as estrelas – que só sabem o que é brilhar depois do nosso amor nascer. E agora?
Cantamos melodias sem fim, enchendo os nossos corpos de um calor ilegível. E agora?
Trocamos promessas, escrevemos certezas, planeamos futuros. E agora?
Mudamos o rosto, mudamos o corpo, vimos as folhas do Outono cair ao longo dos anos, as flores a abrir no decorrer das Primaveras. E agora?
O amor que um dia entrou pela janela, o quarto onde erguemos um trono à paixão, o espelho da casa de banho onde vimos os anos passar, a sala de onde guardamos memórias de serões foliões; tudo isto, numa só casa, na casa do coração.
Julgava que fosses diferente, e com diferente quero dizer melhor; melhor que tudo e todos. Contudo, acho que ao longo dos anos (sem te aperceberes) foste agindo como quem quer provar exactamente o contrário.
Somos os dois mortais, e como tal erramos, ambos erramos. Mas eu mudei, cresci, e procuro novas coisas na vida. Mudar nem sempre é mau, até porque nos permite pensar e sentir diferente.
Mas a tua persistência em ensurdecer os teus ouvidos que foram talhados para a voz do meu coração, dilacerou a minha personalidade, dando origem ao pior em mim.
Vivemos as melhores das maravilhas, mas a nossa ainda tenra idade não nos permitiu em muitas situações agir da melhor forma.
Estamos completamente magoados, a vida jogou-nos num canto e disse-nos para sofrer. É imperativo sofrer, para crescer. E só crescendo podemos os dois continuar a viver amando um ao outro.
Peguei o que era meu por direito eterno, e durante a noite raptei a tua alma.

Pegaste no que era teu por imposição universal, e durante o dia usurpaste o meu coração.
Somos um só. Talvez seja o fim, mas continuaremos um só.
Talvez cresçamos e um dia amemos juntos. Por agora, a solidão é crucial, para aprendermos quem somos, para depois amarmos melhor. Ou quem sabe, apenas para definir os nossos gostos e vontades futuras.
Neste momento não consigo estar contigo, estou dolorida. E tu não consegues estar comigo, estás ferido.
Não quero mudar, mas admito ter errado; não queres ouvir, mas também sabes que erraste.
Tenho o coração cheio de um cansaço de doer incansável.
O tempo cura tudo, ou pelo menos abre consciências.
Até um dia meu amor, até um dia.