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28/08/09

Um toque de seda



Às vezes pergunto-me se ainda correrá o mesmo sentimento dentro de ti. Se
as mesmas palavras entorpecidas de carinho ou as flechas cravadas de dor que
falo ainda te atingem, ainda te deixam ofegante. Depois vejo que não há
perguntas que demore mais de 1 minuto a responder, não tenho dúvidas por mais
que um mero e infame minuto, pois sem ser preciso falar, o teu coração já tão
dotado de perspicácia acena aos teus lábios e quando a dúvida sussurra no meu
ouvido esquerdo, as tuas mãos afastam os meus cabelos e a tua boca aproxima-se
do meu ouvido direito e grita ardilosamente aquela resposta - que só os loucos
que lhe desconhecem a cara, não levam a sério – grita de maneira doce aquilo que
um sussurro não é capaz de atingir. Esbofeteias assim as sombras das dúvidas,
chicoteias os pensamentos que penetram no bem estar de uma felicidade uníssona,
completas um amor de menina, quando me falas: “Amo-te” e me tornas numa mulher
apaixonada.


28/06/09

Semente do Amor


Está a chover, outra vez…
Estou no meu quarto, sozinha, sem ti. Sinto-me nua. O meu corpo está enregelado hoje, talvez por não estares cá, por não me aqueceres com a tua presença.
Estás a trabalhar, a ganhar a nossa vida. Talvez seja egoísta mas a tua ausência assombra-me.
Hoje sou fútil, não tenho ninguém com quem me preocupar porque estás longe, por isso preocupo-me comigo. Odeio o meu modo de ser, o interesse persistente pela minha imagem.
Quer dizer, por um lado até gosto. Caramba! É tão difícil ser mulher!
Cedemos tanto aos desejos, aos pecados, mas talvez seja isso o que é ser mulher. Talvez o mais complicado seja conseguir ser uma grande mulher, moderando a cedência aos desejos e pecados. Por um lado preocupamo-nos com a nossa aparência, apreciamos o processo que lideramos para nos tornarmos belas, mas, por outro lado, há dias que esses tempos que desperdiçamos parecem fúteis, desnecessários, completamente inútil.
Ser eu, é tão difícil em alguns dias. Ter sempre de corresponder a imagem que todos têm de mim, não poder cair…Fartei-me de regras estúpidas de pessoas estúpidas. Eu sou uma pessoa! Tenho o direito a cair, a não me maquilhar, a não sorrir quando estou triste, eu tenho o direito de sair de robe de casa!
Contudo isso nunca te interessou…Sempre quiseste que fosse feliz obstante aquilo que os outros opinavam. Amar-me-ias quer usasse Channel ou Feirex, nunca quiseste saber o que empregava no corpo desde que usasse aquela que para ti era minha melhor vestimenta – o sorriso. Isso sempre foi o que te fascinou, o que deslumbrou a tua alma e algemou o teu coração ao meu.
Sempre me viste como uma mulher, sempre viste para além da maquilhagem, das roupas. Sempre me amaste quer estivesse vestida a rigor, ou acabada de sair do banho. Por isso sei que não poderá existir alguém que me veja da mesma forma transparente e apaixonada, que me ame independente do intemporal.
Depois de tantas manhãs ao teu lado, não desejo outro acordar. Desejo apenas que saias do trabalho e me venhas abraçar; abraçar e curar todas as feridas que o chicote da vida abriu. Desejo ainda amar-te da mesma forma como amava quando aquela nossa “semente” nasceu há um ano; semente essa que germinou a floriu como as flores do Paraíso.
Não desejo mais que aquilo que tenho. Não quero que a chuva pare, quero que perdure, assim como este dia que deixo para trás gigantes que me pesavam nos ombros, e liberto aquele coração esfomeado para te amar.

Mísero destino.


Um dia hei-de procurar entender o Mundo, entender as pessoas, entender-me. Mas por agora sinto-me demasiado fraca para entender pessoas que me parecem de plástico, pessoas que têm atitudes automáticas, falas premeditadas e até feitas de mentiras.
O Mundo é um sítio lindo aos olhos de um surdo-mudo talvez. Talvez o Mundo seja um sítio muito melhor senão for possível enxergar toda a dor nos olhos do mais próximo mas afastado, o Mundo talvez fosse um sítio melhor se não fossemos capazes de ouvir as lamentações dos outros, as palavras que nos atingem como uma lança…
Há dias que acordo perplexa e não entendo a teia de acontecimentos da Vida. Será preferível viver de olhos vendados e descobertos à ignorância e assim levar uma vida, por assim dizer, feliz? Ou será melhor viver afogados na realidade e deixar que esta nos roube a respiração aos poucos, até esta se tornar rarefeita; será melhor viver nocente da realidade e assim não viver tão feliz? De qualquer das formas estamos condenados a morrer. Contudo temos a escolher a forma como aproveitamos o tempo que temos. E enquanto nós nos levantamos queixando da vida prostituta que nos calhou, há quem não se possa queixar pois nem sabe viver.
A questão que se põe não é como viver feliz. A questão é como é possivel viver ignorando aqueles a quem não é dada essa oportunidade - de certo que não por escolha própria- e por isso ser feliz?
A miséria não deixa de existir apenas por fecharmos os olhos quando os problemas não nos atingem com a ponta da sua lança.