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21/02/15

Strip Tease

Vi a chuva e deu-me uma vontade imensa de me atirar a ela. De a sentir em mim e de a deixar desfilar na minha pele como uma bailarina. Vi a chuva e deixei-me que ela me fascinasse com a sua dança sensual de quem bem sabe o que faz e que, por isso, cativa tão melhor que aquele que é analfabeto aos sentidos. Deixei que ela se despisse diante dos meus olhos cegos e me toldasse o bom senso de menina, fisgando-me com a sua aptidão maquiavelicamente sapiente.   
Por isso abri a porta e, de pés descalços, corri para ela, sem amarras, sem receios, sem medo de não conseguir suportar o frio decadente do outro lado da janela. E ali estava ela. Refrescante como sempre, escorria-me pelo pescoço pelos caminhos já tão habituais à sua destreza e eu deixei-me embalar na sua canção de ninfa; deixei-me intoxicar pela prontidão das suas notas de sedução e a minha mente já não me pertencia – já não era mais eu, mas sim uma marioneta da chuva e dessa valsa tão perigosa que me arrebata e me faz outra mulher.    
Hoje vi a chuva e apeteceu-me molhar-me. 

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