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03/07/11

Alice no País das Maravilhas

Ledo é o engano que te cobre os olhos, ledo. É lamentável que precises de fazer o que andas a fazer para te sentires realmente bom.

O ego meu querido, é a morte do artista. Foi a tua morte certamente.
Não olhas a meios para satisfazeres o teu ego, para quê? Tudo que vês, tudo que tens, é pó.
Abandonaste tudo que era teu, os teus amigos, as pessoas que te deram a mão quando vivias na fossa, até a mim. É bem mais fácil nos rodearmos de quem não nos conhece para não termos que dar a cara pelos nossos erros. Mas a tua alma não escapará ao purgatório.
Um dia, revelarás quem verdadeiramente és às pessoas de quem agora te rodeias. Deixarás cair a mascara, e ficaras sozinho. Sabes porquê? Porque nós conhecíamos e amávamos-te como eras. Aceitávamos quem eras. Porque a pessoa que agora finges ser, não é quem és.
Achas que estas a provar quem realmente és, concordo contigo. Mas acredita que não o estas a fazer a quem agora na tua vida entrou, estás a provar quem és a aqueles que já cá estavam há muitos anos.
E quanto a mim a única coisa que te posso dizer é que és uma desilusão massiva. Dei-te demasiado, e em vez de criar um homem, tornei-te num ingrato.
Talvez te olvide o que a minha família fez por ti, o que eu fiz por ti, o que os teus amigos fizeram por ti. Mas se te esquece, o problema é apenas teu.
Jamais encontraras alguém como eu, porque só tu bem sabes quem tu és, e só tu bem sabes o amor incondicional que tinha por ti.
Podes viver a tua vida enganando toda a gente à tua volta, podes viver a tua vida ludibriando todos os que te conhecem, mas a mim não enganas. E a ti próprio muito menos.
Foste o homem da minha vida, mas acabou-se o tempo em que te dei o papel principal da minha vida. Acabou o teu protagonismo. Esta na hora de ser eu a comandar a vida.
Dou-te o pequeno prazer de continuares a falar mal de mim a quem te apetecer, porque enquanto achas que estás feliz, eu sei que te estás a tentar convencer que és feliz sem mim. Sabes falar muito de mim, sabes encher os ouvidos a quem me desconhece, mas não te esqueças de quem está no espelho quando o miras. Não te esqueças de quem tu és, tenho a certeza que não o fazes! Por isso estás tão compenetrado a provar que és melhor que eu, quando nunca ninguém te pediu provas. 
E isso é patético.
É tudo teu, e a parede um dia há-de ser a tua melhor amiga.
Perdeste o meu amor incondicional, já não cego mais os olhos às tuas monstruosidades.

23/06/11

Sy

Hoje acordei, não um acordar despromovido de cansaço físico, mas um acordar repleto de um cansaço de doer.
Quem sou eu? Eu sou eu, e ninguém tem o direito de me fazer sentir menos eu.
Para viver é imperativo amar, e para amar há a imposição de sofrer. Mas sofrer até a um certo ponto, a partir daí torna-se inaceitável.
Estava disposta a tudo por ti, mas para quê? A pessoa que te tornas-te é quem? Eu não sei, mas sei quem sou. E sei que o meu Eu está cansado de todas as tuas fraudes, de todas as tuas atitudes depressivas e isoladoras.
Entende apenas isto, sou um ser humano, não um boneco, repeti-te isto vezes sem conta.
Acho que nunca entendeste, todos nós temos um ponto de limite de dor, e eu atingi o meu.
Sei que é ledo o engano que te cobre os olhos, mas eu já fiz tudo que me competia como tua namorada, melhor amiga, mulher, e pessoa.
A acção humana só é justificável até certo ponto, e este é o ponto.
Foste uma coisa muito boa na minha vida, mas neste momento o nosso amor é veneno nas nossa vidas. Não sei o que o futuro nos reserva, mas sei que não posso mais ficar parada à espera de algo que pode nunca vir.
Não me adianta mais estar aqui a enfeitar linhas intermináveis a dizer no que erraste e no que eu errei, ambos sabemos, e o que ainda não sabemos a vida vai-nos ensinar num futuro próximo.
Fizeste parte da minha vida, mas não posso deixar que usurpes a totalidade da minha vida. Nunca fui mulher disso, e se me esqueci disso, o Destino encarregou-se de me relembrar.
Preciso de me afastar, de me sentir bem. Preciso de guiar a minha vida na direcção que eu quero, em vez de fazer apenas aquilo que a tua vida me permite fazer.
Esqueci-me das minhas vontades e desejos, e não posso fazer isso.

22/06/11

Nim

R. és sem dúvida um amigo estupendo. Só te posso agradecer tudo.
A verdade é que sempre que conversamos, comungo um pouco da tua sapiência, e cresço um pouco. Vejo mais além, mais da vida.
De facto, és uma muleta em muitos aspectos da minha vida, orgulho-me imenso de te ter como Amigo.
Um Amigo com A grande. Tal se deve à tua presença constante em todos os momentos, mais do que isso, acho que se deve à atenção. Porque estar presente e estar atento são coisas diferentes, que nem sempre co-existem necessariamente. Mas toda a atenção que me dispões, todas as palavras que dizes na altura certa, significa muito.
Ensinas-me essencialmente a olhar por dentro de mim, - tal como Blimunda vê através das pessoas – ajudas-me a procurar as minhas vontades. Ensinas-me a ser eu, o eu que fui ontem, porque quem sou é a minha identidade, algo irrevogável que embora possa ser mutável ao longo do tempo, é a minha definição pessoal.
Hoje sorvi um pouco da tua experiência e escutei. Escutei uma versão diferente da Vida, para um encarar desigual da mesma.
Há que adoptar um bocado a filosofia de vida pessoana, a única certeza irrevocável da vida é a morte. Parece um pouco duro talvez, mas, no entanto, nada nos permite sentenciar nada como definitivo, nem devemos deixar a vida correr sem a tomar pelas rédeas uma vez, antes que ela acabe. Porque a vida é efémera, e esgota-se num ínfimo de segundo, expira-se sem datas, mas de forma espontânea às vezes até.
Para ser feliz são preciso duas coisas, viver e ter qualidade de vida.
Tudo isto para dizer, que é na qualidade de vida que te inseres, e que a amizade prospere durante muitos anos.





Um beijinho R.

19/06/11

Another day has come


Dei-te uma vida, um coração, uma alma sôfrega. Dei-te a mim.



Vivemos os mais bonitos momentos, que se eternizaram ao Olimpo de tamanha grandiosidade a sua. E agora?

Traçamos as linhas do Destino no céu, pintando de emoções as estrelas – que só sabem o que é brilhar depois do nosso amor nascer. E agora?
Cantamos melodias sem fim, enchendo os nossos corpos de um calor ilegível. E agora?
Trocamos promessas, escrevemos certezas, planeamos futuros. E agora?
Mudamos o rosto, mudamos o corpo, vimos as folhas do Outono cair ao longo dos anos, as flores a abrir no decorrer das Primaveras. E agora?
O amor que um dia entrou pela janela, o quarto onde erguemos um trono à paixão, o espelho da casa de banho onde vimos os anos passar, a sala de onde guardamos memórias de serões foliões; tudo isto, numa só casa, na casa do coração.
Julgava que fosses diferente, e com diferente quero dizer melhor; melhor que tudo e todos. Contudo, acho que ao longo dos anos (sem te aperceberes) foste agindo como quem quer provar exactamente o contrário.
Somos os dois mortais, e como tal erramos, ambos erramos. Mas eu mudei, cresci, e procuro novas coisas na vida. Mudar nem sempre é mau, até porque nos permite pensar e sentir diferente.
Mas a tua persistência em ensurdecer os teus ouvidos que foram talhados para a voz do meu coração, dilacerou a minha personalidade, dando origem ao pior em mim.
Vivemos as melhores das maravilhas, mas a nossa ainda tenra idade não nos permitiu em muitas situações agir da melhor forma.
Estamos completamente magoados, a vida jogou-nos num canto e disse-nos para sofrer. É imperativo sofrer, para crescer. E só crescendo podemos os dois continuar a viver amando um ao outro.
Peguei o que era meu por direito eterno, e durante a noite raptei a tua alma.

Pegaste no que era teu por imposição universal, e durante o dia usurpaste o meu coração.
Somos um só. Talvez seja o fim, mas continuaremos um só.
Talvez cresçamos e um dia amemos juntos. Por agora, a solidão é crucial, para aprendermos quem somos, para depois amarmos melhor. Ou quem sabe, apenas para definir os nossos gostos e vontades futuras.
Neste momento não consigo estar contigo, estou dolorida. E tu não consegues estar comigo, estás ferido.
Não quero mudar, mas admito ter errado; não queres ouvir, mas também sabes que erraste.
Tenho o coração cheio de um cansaço de doer incansável.
O tempo cura tudo, ou pelo menos abre consciências.
Até um dia meu amor, até um dia.

16/05/11

Friends will be friends

Amigo(s):

Amigo é aquele que te estende a mão quando não precisas.
Amigo é aquele que te liga um milhão de vezes para te acordar de manhã, só para não chegares atrasado às aulas.
Amigo é aquele que em dias de tempestade, te oferece o seu guarda-chuva.
Amigo é aquele que junta dinheiro, não só para pagar o seu bilhete de cinema, mas o teu também.
Amigo é aquele que te oferece sempre o último cigarro, a última bolacha, o seu último.
Amigo é aquele que acredita em ti, mesmo que já não o faças.
Amigo é aquele que entra na tua vida e nunca sai do teu coração.
Amigo é aquele que larga tudo quando lhe pedes auxílio.
Amigo é…TUDO!

Confesso, (um pouco embaraçada até) que pouco ou quase nenhum texto do meu blog teve o objectivo de enaltecer o meu grupo de amigos, e lamento muito por isso.
Por isso aqui vai – pode não ser tanto como aquilo que ambicionava, mas é aquilo que a minha perícia me permitir pôr por palavras.
Agradeço-vos a todos, tudo que fizeram por mim. Não posso quantificar a importância que cada um tem para mim, porque todos abrangem um lugar diferente, porque afinal de contas as pessoas não são todas iguais. Mas sabem, mesmo sendo vocês tão diferentes uns dos outros, devo confessar que me espanto comigo mesma, quando me dou por mim a pensar, como posso amar diferentes pessoas, sendo elas tão divergentes.
Mas aí é que está a magia da vida, deparo-me comigo a apaixonar-me cada vez mais pelas vossas personalidades, a devorar cada vez mais cada vivência, e sabem que mais? Nunca me senti tão viva.
Sejam pelos almoços, pelos jantares, ou mesmo numa saída nocturna, vocês marcam-me, todos os dias. É certo que podemos não estar todos os dias juntos, alguns até só mesmo quando o tempo e a própria vida o permite, mas as memórias essas estão sempre comigo, e nunca me esquecerei.
A verdade é que as fotografias são um registo físico muito forte de uma existência próxima, mas as vivências gravadas na memória, assim como as emoções gravadas vincadamente no meu coração, essas sim, são as que mais prezo. (Claro que também tenho medo de tirar fotos convosco, caso um dia se chateiem e decidam fazer um feitiço de vudu ehehe).
Prometo (a muitos de vocês) arranjar – num futuro próximo - mais provas palpáveis da nossa amizade, e garanto-vos uma certeza, nunca esquecer-vos.
Não há gostar mais consciente, do que este sentimento que a inconsciência fez nascer acordada.
“Nunca digas nunca”, aprendi a não o fazer, não sei o que o futuro me reserva, nem vocês o podem garantir. Podemos, contudo, lutar por uma amizade eterna e embora que a vida tenha um fim, podemos imortalizar a nossa relação em pequenas grandes coisas nas nossas vidas.
É isso que pretendo para vocês: perenidade espiritual, porque o corpo está aqui de passagem, mas as nossas atitudes e vivências ficarão sempre marcadas na Terra quer seja nas memórias de quem nos foi querido, quer sejam através de actos heróicos.
E vocês foram os heróis em muitos momentos da minha vida, se por alguma infelicidade a vida me trouxe um momento menos bom, vocês dividiram comigo a minha tristeza, e iluminaram-me o caminho a seguir. Vocês foram (e são!) as minhas muletas, o meu braço direito, o meu ombro, as pernas que por mim caminharam quando as forças escasseavam, a boca que falou quando a voz fraquejou, vocês foram os ouvidos para uma dor ensurdecida. Vocês são grande parte de mim, e a razão de grande parte do meu carácter.
Assim, hoje e mais do que nunca, uso a palavra amo-te para vocês. Não num sentido pseudo-exagerado, mas por ser a única palavra que se adequa ao sentir de uma coisa tão grande e tão boa.

( um beijinho repenicado)