Hoje lembrei de te lembrar, lembrar o que quando se lembra incendeia as entranhas.
Lembrei o ledo fogo que queima sem doer, que arrepanha a tua pele, que faz do teu psicológico um joguete de menino e te arrebata contra uma parede, que flameja palavras que te tiram o fôlego. Hum, como queima sem doer. E este vislumbre de ti, das pequenas coisas que me tiravam fora de mim, como queima. E não fosse eu fascinada por tudo que queima, tudo que estala na pele mas não te esvai em sangue, tudo que te faz ser louca sem enlouquecer de vez, tudo que te move sem caíres, tudo que é fogo que incendeia mas sem queimar. Tal e qual traça encantada pela luz que incandesce, lembrei-me de me lembrar do fogo que arde sem doer.
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19/02/15
Rainha do Xadrez
Texto de
SofiaBasto
Desde que me lembro que sou uma junkie e uma exímia jogadora deste jogo a que chamo viver. E que perigosidade a de transformar tudo o que me rodeia em peças de um jogo que estou demasiado habituada a jogar. Se calhar é melhor explicar, tal e qual jogo de xadrez, as regras que me movem todos os dias, em todas as situaçoes.
1) Jamais uma peça deve ser tocada, a não ser que saibas exatamente como efectuar a jogada. Por isso, analisa e age em conformidade com o teu objetivo.
2) Deve existir sempre um plano prévio, e nada do que faças deve ser executado ao calhas. É necessário antecipar todas as jogadas posteriores, quer tuas como as do adversário.
3) Lutar até ao fim pode dar a ideia de “falta de visão de jogo”, por isso, quando a derrota é inevitável há que sair graciosamente, ou pelo menos deixar a outra parte acreditar que o xeque-mate é possível.
4) Quando possuis mais peças no tabuleiro que o teu adversário, joga-as com inteligência e assim ele ficará sem saída.
5) O domínio e a ocupação de pontos estratégicos são a condição básica para a obtenção de superioridade posicional e a garantia de êxito das nossas manobras tácticas.
6) A peça mais prazerosa de movimentar é a Rainha, pois tem a liberdade de se movimentar elegantemente pelo tabuleiro.
7) Embora os peões sejam, aparentemenete, as peças com menor valor no jogo são eles os mais fáceis de jogar.
O resto das regras são minhas e tu és livre de fazer as tuas. Alias, não posso eu revelar todos os meus truques. Tao simples e no entanto tao calculista, tao determinado, tao…viciante. E sabem qual é o problema deste tipo de regras? Tornam-te tao bom no que fazes que nao sobram jogadores à tua medida.
1) Jamais uma peça deve ser tocada, a não ser que saibas exatamente como efectuar a jogada. Por isso, analisa e age em conformidade com o teu objetivo.
2) Deve existir sempre um plano prévio, e nada do que faças deve ser executado ao calhas. É necessário antecipar todas as jogadas posteriores, quer tuas como as do adversário.
3) Lutar até ao fim pode dar a ideia de “falta de visão de jogo”, por isso, quando a derrota é inevitável há que sair graciosamente, ou pelo menos deixar a outra parte acreditar que o xeque-mate é possível.
4) Quando possuis mais peças no tabuleiro que o teu adversário, joga-as com inteligência e assim ele ficará sem saída.
5) O domínio e a ocupação de pontos estratégicos são a condição básica para a obtenção de superioridade posicional e a garantia de êxito das nossas manobras tácticas.
6) A peça mais prazerosa de movimentar é a Rainha, pois tem a liberdade de se movimentar elegantemente pelo tabuleiro.
7) Embora os peões sejam, aparentemenete, as peças com menor valor no jogo são eles os mais fáceis de jogar.
O resto das regras são minhas e tu és livre de fazer as tuas. Alias, não posso eu revelar todos os meus truques. Tao simples e no entanto tao calculista, tao determinado, tao…viciante. E sabem qual é o problema deste tipo de regras? Tornam-te tao bom no que fazes que nao sobram jogadores à tua medida.
Mi matas
Texto de
SofiaBasto
Sabes uma coisa?
Ainda me deixas louca cada vez que me beijas o pescoço, ou mordiscas o ombro.
Ainda me deixas louca quando passeias as mãos pelas minhas costas, ou quando brincas com os meus joelhos.
Ainda me deixas arrebatada quando passas por mim empregando um cheiro delicioso, no entanto, másculo; ainda me deixas alienada quando me fitas por uns momentos silenciosos e me dizes que sou linda.
Ainda me deixas louca cada vez que me ligas para ter uma conversa de circunstância.
Ainda me deixas meia atarantada cada vez que encostas o teu nariz no meu.
(...)
Podia continuar numa lista infinita de loucuras, mas para quê?
A verdade, é que me deixas louca.
22/08/12
Há sempre tempo
Texto de
SofiaBasto
Já não escrevia há sei lá quanto
tempo. Há quanto tempo eu não sei, mas sei que já não escrevia há muito.
Hoje
apeteceu-me voltar a escrever, apeteceu-me voltar-me para mim.
Estás aqui
ao meu lado a dormir, e enquanto te contemplo pensei e repensei para mim “Sabes?
A vida dá muitas voltas, mas acaba sempre por pôr tudo no seu lugar”. De certo
que me colocou do teu lado e eu afirmo veemente que esse é, indubitavelmente, o
meu lugar.
A vida é efémera,
não é? Não é que sinta que tudo passa a correr – como quem diz que o tempo me
passa ao lado -, mas sinto que o tempo é fugaz, demasiado breve para imensidão
de coisas que planeio fazer! Mas ao menos tenho essas coisas todas para fazer,
não é?
Quando me sentia à deriva, o tempo passava por mim e me
jogava para trás, como o vento faz deambular uma frágil folha de um lado para o
outro. Nessa altura talvez um dia fosse só um dia, porque tudo que eu fazia não
era, de todo, o que eu queria fazer, percebes? Mas uma vez tu disseste-me “Tens
muito tempo para ser quem tu sempre quiseste ser, sem medos”, e eu larguei o
protagonismo de débil folha e tentei caminhar contra o vento. E sabes que mais?
Enquanto me encontrava contra o tempo descobri o que queria fazer no resto do
tempo da minha vida.
29/10/11
Astro-Rei
Texto de
SofiaBasto
Todos nós caminhamos convictos da certeza em inúmeras ocasiões da nossa vida. Mas quando o Destino faz de nós joguetes de menino, e nos despede no chão sem misericórdia, o nevoeiro cerrado, que nos cobre os olhos, dilapida e nós - ensanguentados miseravelmente – crescemos.
Outrora caí, e sem rumo tentei, fracassando, erguer-me das cinzas. Contudo, tudo tem uma razão de ser, e ninguém se esfola sem ser recompensado um dia.
Hoje tenho uma noção completamente diferente do que é amar, do que é ser escoltado de um coração cristalino, do que é ser acompanhado inequivocamente por um alguém leal.
O que hoje tenho em minha posse, é distinto de tudo aquilo que um dia vislumbrei. Quiçá todos nós precisemos de batalhar para conquistar um futuro compacto.
Encho-me de confiança, não de uma confiança fraude da imaginação e de uma ilusão infantilóide, mas de uma confiança invicta, empedernida na razão.
Mudaste, e eu também. Mas sabes? Acho que isso só nos engrandeceu como pessoas, sinto que estou na fase da minha vida onde exactamente queria estar, sinto que contemplo nela tudo e todos aqueles que preciso para ser quem sempre quis. Não pões entraves no que sentes, e glorificas tudo que faço por ti, ou por nós. Como isso é bom, não imaginas.
Arquitectamos um amor em fundações de pedra, vimos para além do natural e por isso somos donos do extraordinário.
Há quem fale, há quem aponte, mas quem o faz não conhece. Porque quem conhece, quem presencia encanta-se com o brilho que espelha nos nossos olhos, vê-nos como jamais um dia fomos.
Ostento-me como um fantoche do amor, e sei que todos os meus movimentos são projectados por ele, mas que me importa a mim, ser um simples vassalo? Não padeço dessa pseudo-culpa, pois circula a mais pura das felicidades do meu corpo! Fui um cadáver movediço até encontrar um coração nobre.
Fizeste-me sentir o expoente máximo de todo o meu ser, concedes-me todas as coisas que apenas em sonhos concebi receber. Sei sentir-me maravilhosa aquando o levantar e cair do Astro-rei, e sei sentir-me confiante a cada tique do pêndulo da existência.
Daqui levas tudo aquilo que me compete dar e tudo aquilo que o amor puder avassalar.
Sempre tua, sempre meu, sempre nosso.
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