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17/08/11

Ensaio sobre a cegueira

Esta será a ultima vez que te escrevo.
Pouco me importa se sabem quem tu és, se quem te dá palmadinhas nas costas enfia carapuças. Pouco me importa.
Daqui levas tu (mais os teus) a maior lição de vida. Lições de vida? Sim! Fala-te a voz da experiência, ouve ou não, não pretendo mudar nada, porque tu não és suficiente para mim.
Ao longo do tempo deixaste-te perder. Esta tua faceta tão pseudo-feliz, e recém-descoberta, dá-me muita pena. Não tenho senão pena e tristeza pelo ser humano que te tornaste.
Já não é honestidade que rasga na tua boca, mas sim falsidade de quem quer ser feliz sem nada. O que julgas tu que tens? Amigos que pouco sabem a pessoa que és, ou que te tornaste? Pessoas a quem teceste duras criticas? Trausentes da vida, que te alimentam o ego para não teres de encarar quem és? Lamento que precises disso para te achares melhor, realmente lamento muito. Quase tanto como lamento a tua coragem para ir atrás de ir atrás de quem não te é nada, e a tua covardia, envolta nesse orgulho tão decadente, em deixar para trás tudo aquilo que dá demasiado trabalho. 
As melhores coisas da vida custam, envolvem luta, mas desistir sempre foi o teu forte. Já eu gosto de dinâmica, ambição e objectivos para mim não são marcos vitalícios, são conquistas permanentes. Com o tempo começo a lembrar-me da quantidade de promessas que me dirigiste, nas inumeras coisas que tentaste fazer, e depois vejo que nada concretizaste, e pergunto-me: "Foi isto um ensaio sobre a cegueira?". Ensaiste tão bem a tua personagem, de forma maquiavélica e tão retorcida. Como lamento. 
A vida é feita de erros, e o meu maior (agora vejo) foi dar tanto de mim, tanto amor a uma pessoa que me ludibriou com artificios de mente ao longo do tempo. Se outrora a cegueira me trazia sofrimento, hoje so me traz ódio e força de vontade. Sabes porquê? Porque eu não preciso de me rebaixar ao ponto morto, não preciso de me fazer de pedra e muito menos de pedir a mão a quem cuspi (com convicção) na cara.
A partir do momento que deixamos a nossa integridade e convicções de lado para abraçar caminhos que nada têm a ver connosco, a partir do momento que precisamos de alimentar a nossa crença que "estamos bem" com demonstrações públicas, a partir desse momento deixamos de enganar os outros, e passamos a enganar a nós próprios. Talvez a palavra "outros" seja muito relativa, porque quem tu enganas neste momento não é só a ti mesmo, mas sabes que mais? Não é um problema meu.
Acredita que não te faço falta, que não me amas, que és mais feliz agora, fá-lo. Pega nos teus troféus ridiculos e exibi-os com a maior das vontades, fá-lo. Faz tudo o que quiseres, porque eu sem nada fazer sou bem melhor que tudo isso. Dei-te tudo e mais alguma coisa, e tu sabe-lo, e isso chega-me. A minha consciência vai mais que limpa, e isso vai ser a chave de um futuro próximo.
E aqui está um adeus eterno, não há volta nem retoma. Não volto a cair no erro de me deixar envolver nos braços da falsidade. São costumes teus, não meus.
Eu, vou fazer exactamente aquilo que me disseste. Vou para a faculdade, vou ser feliz. Puseste demasiadas pedras no meu caminho, quando eu me fartei de levantar as tuas. Sou bem mais do que o que julgas, sou uma grande mulher. E se te faz mais feliz dizer aos outros que não sou, fá-lo. Porque quando olhas ao espelho tu sabes bem quem lá está, sabes bem quais são os teus demónios.
Desejo-te muita sorte, porque se realmente és esta pessoa, sorte vai ser uma necessidade bem grande.
E a mim, desejo perserverança, porque a vida ainda vai ser muito generosa comigo. Sabes é que eu aprendo com os meus erros, e daqui em diante não darei nada antes de receber primeiro.

Adeus.

17/07/11

The game


Dei-te tudo o que havia para dar, mas acabou.
E se antes não entendia, hoje entendo. Eu entendo e sei quem sou, e orgulho-me tanto de nunca ter baixado os braços ao longo da minda vida. De nunca ter ouvido quem me quis destruir.
Agora tu és joguete nas mãos de quem menos esperas. Manipulam-te e usam-te como querem. Tiraram-te a única coisa que te destinguia de todos os outros, a tua inocência.
Acabaram com a única coisa que te tornava um humano incrível, a tua capacidade de amar.
Eu vou-me embora, vou empacotar as minhas coisas e partir para um sitio diferente. É um adeus, não um até já. Julguei-te um homem, mas no final do dia, continuas um miúdo que não sabe o que quer, que não sabe cuidar do que tem.
Vou-me embora, vou virar costas porque já não há nada aqui para mim.
Talvez começar de novo noutro lugar, me traga quem sabe aquilo que aqui nunca atingi.
Um dia vais olhar para trás e lamentar as tuas acções, mas nesse dia - tal como hoje - vai ser tarde demais para remediar o que está quebrado.
Nem toda a gente é substituível, e eu sou uma dessas pessoas.

03/07/11

Alice no País das Maravilhas

Ledo é o engano que te cobre os olhos, ledo. É lamentável que precises de fazer o que andas a fazer para te sentires realmente bom.

O ego meu querido, é a morte do artista. Foi a tua morte certamente.
Não olhas a meios para satisfazeres o teu ego, para quê? Tudo que vês, tudo que tens, é pó.
Abandonaste tudo que era teu, os teus amigos, as pessoas que te deram a mão quando vivias na fossa, até a mim. É bem mais fácil nos rodearmos de quem não nos conhece para não termos que dar a cara pelos nossos erros. Mas a tua alma não escapará ao purgatório.
Um dia, revelarás quem verdadeiramente és às pessoas de quem agora te rodeias. Deixarás cair a mascara, e ficaras sozinho. Sabes porquê? Porque nós conhecíamos e amávamos-te como eras. Aceitávamos quem eras. Porque a pessoa que agora finges ser, não é quem és.
Achas que estas a provar quem realmente és, concordo contigo. Mas acredita que não o estas a fazer a quem agora na tua vida entrou, estás a provar quem és a aqueles que já cá estavam há muitos anos.
E quanto a mim a única coisa que te posso dizer é que és uma desilusão massiva. Dei-te demasiado, e em vez de criar um homem, tornei-te num ingrato.
Talvez te olvide o que a minha família fez por ti, o que eu fiz por ti, o que os teus amigos fizeram por ti. Mas se te esquece, o problema é apenas teu.
Jamais encontraras alguém como eu, porque só tu bem sabes quem tu és, e só tu bem sabes o amor incondicional que tinha por ti.
Podes viver a tua vida enganando toda a gente à tua volta, podes viver a tua vida ludibriando todos os que te conhecem, mas a mim não enganas. E a ti próprio muito menos.
Foste o homem da minha vida, mas acabou-se o tempo em que te dei o papel principal da minha vida. Acabou o teu protagonismo. Esta na hora de ser eu a comandar a vida.
Dou-te o pequeno prazer de continuares a falar mal de mim a quem te apetecer, porque enquanto achas que estás feliz, eu sei que te estás a tentar convencer que és feliz sem mim. Sabes falar muito de mim, sabes encher os ouvidos a quem me desconhece, mas não te esqueças de quem está no espelho quando o miras. Não te esqueças de quem tu és, tenho a certeza que não o fazes! Por isso estás tão compenetrado a provar que és melhor que eu, quando nunca ninguém te pediu provas. 
E isso é patético.
É tudo teu, e a parede um dia há-de ser a tua melhor amiga.
Perdeste o meu amor incondicional, já não cego mais os olhos às tuas monstruosidades.

23/06/11

Sy

Hoje acordei, não um acordar despromovido de cansaço físico, mas um acordar repleto de um cansaço de doer.
Quem sou eu? Eu sou eu, e ninguém tem o direito de me fazer sentir menos eu.
Para viver é imperativo amar, e para amar há a imposição de sofrer. Mas sofrer até a um certo ponto, a partir daí torna-se inaceitável.
Estava disposta a tudo por ti, mas para quê? A pessoa que te tornas-te é quem? Eu não sei, mas sei quem sou. E sei que o meu Eu está cansado de todas as tuas fraudes, de todas as tuas atitudes depressivas e isoladoras.
Entende apenas isto, sou um ser humano, não um boneco, repeti-te isto vezes sem conta.
Acho que nunca entendeste, todos nós temos um ponto de limite de dor, e eu atingi o meu.
Sei que é ledo o engano que te cobre os olhos, mas eu já fiz tudo que me competia como tua namorada, melhor amiga, mulher, e pessoa.
A acção humana só é justificável até certo ponto, e este é o ponto.
Foste uma coisa muito boa na minha vida, mas neste momento o nosso amor é veneno nas nossa vidas. Não sei o que o futuro nos reserva, mas sei que não posso mais ficar parada à espera de algo que pode nunca vir.
Não me adianta mais estar aqui a enfeitar linhas intermináveis a dizer no que erraste e no que eu errei, ambos sabemos, e o que ainda não sabemos a vida vai-nos ensinar num futuro próximo.
Fizeste parte da minha vida, mas não posso deixar que usurpes a totalidade da minha vida. Nunca fui mulher disso, e se me esqueci disso, o Destino encarregou-se de me relembrar.
Preciso de me afastar, de me sentir bem. Preciso de guiar a minha vida na direcção que eu quero, em vez de fazer apenas aquilo que a tua vida me permite fazer.
Esqueci-me das minhas vontades e desejos, e não posso fazer isso.

22/06/11

Nim

R. és sem dúvida um amigo estupendo. Só te posso agradecer tudo.
A verdade é que sempre que conversamos, comungo um pouco da tua sapiência, e cresço um pouco. Vejo mais além, mais da vida.
De facto, és uma muleta em muitos aspectos da minha vida, orgulho-me imenso de te ter como Amigo.
Um Amigo com A grande. Tal se deve à tua presença constante em todos os momentos, mais do que isso, acho que se deve à atenção. Porque estar presente e estar atento são coisas diferentes, que nem sempre co-existem necessariamente. Mas toda a atenção que me dispões, todas as palavras que dizes na altura certa, significa muito.
Ensinas-me essencialmente a olhar por dentro de mim, - tal como Blimunda vê através das pessoas – ajudas-me a procurar as minhas vontades. Ensinas-me a ser eu, o eu que fui ontem, porque quem sou é a minha identidade, algo irrevogável que embora possa ser mutável ao longo do tempo, é a minha definição pessoal.
Hoje sorvi um pouco da tua experiência e escutei. Escutei uma versão diferente da Vida, para um encarar desigual da mesma.
Há que adoptar um bocado a filosofia de vida pessoana, a única certeza irrevocável da vida é a morte. Parece um pouco duro talvez, mas, no entanto, nada nos permite sentenciar nada como definitivo, nem devemos deixar a vida correr sem a tomar pelas rédeas uma vez, antes que ela acabe. Porque a vida é efémera, e esgota-se num ínfimo de segundo, expira-se sem datas, mas de forma espontânea às vezes até.
Para ser feliz são preciso duas coisas, viver e ter qualidade de vida.
Tudo isto para dizer, que é na qualidade de vida que te inseres, e que a amizade prospere durante muitos anos.





Um beijinho R.