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19/02/15

Mi matas

Sabes uma coisa?
Ainda me deixas louca cada vez que me beijas o pescoço, ou mordiscas o ombro.
Ainda me deixas louca quando passeias as mãos pelas minhas costas, ou quando brincas com os meus joelhos.
Ainda me deixas arrebatada quando passas por mim empregando um cheiro delicioso, no entanto, másculo; ainda me deixas alienada quando me fitas por uns momentos silenciosos e me dizes que sou linda.
Ainda me deixas louca cada vez que me ligas para ter uma conversa de circunstância.
Ainda me deixas meia atarantada cada vez que encostas o teu nariz no meu.
(...)
Podia continuar numa lista infinita de loucuras, mas para quê?
 A verdade, é que me deixas louca.

22/08/12

Há sempre tempo


Já não escrevia há sei lá quanto tempo. Há quanto tempo eu não sei, mas sei que já não escrevia há muito.
            Hoje apeteceu-me voltar a escrever, apeteceu-me voltar-me para mim.
            Estás aqui ao meu lado a dormir, e enquanto te contemplo pensei e repensei para mim “Sabes? A vida dá muitas voltas, mas acaba sempre por pôr tudo no seu lugar”. De certo que me colocou do teu lado e eu afirmo veemente que esse é, indubitavelmente, o meu lugar.
            A vida é efémera, não é? Não é que sinta que tudo passa a correr – como quem diz que o tempo me passa ao lado -, mas sinto que o tempo é fugaz, demasiado breve para imensidão de coisas que planeio fazer! Mas ao menos tenho essas coisas todas para fazer, não é?
Quando me sentia à deriva, o tempo passava por mim e me jogava para trás, como o vento faz deambular uma frágil folha de um lado para o outro. Nessa altura talvez um dia fosse só um dia, porque tudo que eu fazia não era, de todo, o que eu queria fazer, percebes? Mas uma vez tu disseste-me “Tens muito tempo para ser quem tu sempre quiseste ser, sem medos”, e eu larguei o protagonismo de débil folha e tentei caminhar contra o vento. E sabes que mais? Enquanto me encontrava contra o tempo descobri o que queria fazer no resto do tempo da minha vida.

29/10/11

Astro-Rei


Todos nós caminhamos convictos da certeza em inúmeras ocasiões da nossa vida. Mas quando o Destino faz de nós joguetes de menino, e nos despede no chão sem misericórdia, o nevoeiro cerrado, que nos cobre os olhos, dilapida e nós - ensanguentados miseravelmente – crescemos.
Outrora caí, e sem rumo tentei, fracassando, erguer-me das cinzas. Contudo, tudo tem uma razão de ser, e ninguém se esfola sem ser recompensado um dia.
Hoje tenho uma noção completamente diferente do que é amar, do que é ser escoltado de um coração cristalino, do que é ser acompanhado inequivocamente por um alguém leal.
O que hoje tenho em minha posse, é distinto de tudo aquilo que um dia vislumbrei. Quiçá todos nós precisemos de batalhar para conquistar um futuro compacto.
Encho-me de confiança, não de uma confiança fraude da imaginação e de uma ilusão infantilóide, mas de uma confiança invicta, empedernida na razão.
Mudaste, e eu também. Mas sabes? Acho que isso só nos engrandeceu como pessoas, sinto que estou na fase da minha vida onde exactamente queria estar, sinto que contemplo nela tudo e todos aqueles que preciso para ser quem sempre quis. Não pões entraves no que sentes, e glorificas tudo que faço por ti, ou por nós. Como isso é bom, não imaginas.
Arquitectamos um amor em fundações de pedra, vimos para além do natural e por isso somos donos do extraordinário.
Há quem fale, há quem aponte, mas quem o faz não conhece. Porque quem conhece, quem presencia encanta-se com o brilho que espelha nos nossos olhos, vê-nos como jamais um dia fomos.
Ostento-me como um fantoche do amor, e sei que todos os meus movimentos são projectados por ele, mas que me importa a mim, ser um simples vassalo? Não padeço dessa pseudo-culpa, pois circula a mais pura das felicidades do meu corpo! Fui um cadáver movediço até encontrar um coração nobre.
Fizeste-me sentir o expoente máximo de todo o meu ser, concedes-me todas as coisas que apenas em sonhos concebi receber. Sei sentir-me maravilhosa aquando o levantar e cair do Astro-rei, e sei sentir-me confiante a cada tique do pêndulo da existência.
Daqui levas tudo aquilo que me compete dar e tudo aquilo que o amor puder avassalar.
Sempre tua, sempre meu, sempre nosso.

29/09/11

Take care of my heart


Querido, abre a porta, entra e senta-te a meu lado.
Desprovê-te de todas as amarras passadas, de todas as memórias que te poluíram a mente e cadaverizaram o teu coração, de todos os medos que outrora impediam a tua alma de se anunciar ao mundo.

Priva os teus ouvidos da surdez social que ensurdece de cegueira o mais tolo dos homens. Abre a tua mente às minhas palavras, pois nelas encontrarás o auge da sinceridade humana, envolta no apogeu sentimental.
Tudo na vida tem uma razão de acontecer, e quem sai ou entra nela fá-lo por razões que só o destino dita.
Vivi toda a minha vida a ensinar, a espalhar ensinamentos tal e qual profeta. Hoje entendo como é importante aprender, pois é na aprendizagem que moldamos a nossa identidade, que adquirimos gostos e “dislikes”, conhecemos mundos e fundos. Posso afirmar que vejo o mundo, vejo o mundo destituído de máscaras sociais e enredos falaciosos; vejo o mundo sem véus ou ardis mentais. Vejo o mundo pelos teus olhos, vejo-me melhor do que nunca.
Todos nós carregamos bagagem, viajamos com as nossas memórias mais traumáticas, mas sabes, isso só nos faz bem. É o peso do nosso passado que nos permite viver um presente mais consciencioso e leve, consentindo a edificação de um futuro assente em fundações sólidas.
O que vivemos não nos torna menos aptos para a felicidade, muito pelo contrário, abre-nos (astutamente) mais caminhos para que a possamos encontrar. Tu foste o atalho num percurso debilitado e demasiado complicado. Mostras-me todos os dias a simplicidade da vida, e ensinas-me a descomplexar aquilo que nunca aprendi a viver como fácil.
Vejo-te todos os dias munido de uma capa, e um colete salva-vidas, vejo-te como um herói de banda desenhada. Não me agrada tomar o papel de donzela em apuros, mas a verdade é que salvaste bem mais que o meu coração, ressuscitaste a heroína que enterrei por falta de amor próprio. E agora que me sinto mais eu, consigo sentir mais de todos os que me rodeiam, sentir mais de ti, e por ti.
Sinto cada pulsar do meu coração, sinto o sangue que vaga a minha alma entorpecida pelo teu amor a percorrer cada milimetro do meu corpo, sinto cada som e odor ensurdecedoramente, sinto-me viva.
Sinto-me tal e qual Fénix reerguendo-se das cinzas pardacentas, sinto-me Eu, e repleta de ti.

Sempre M






08/09/11

Alma, coração e vida.

Estilhaça-me, mas não me partas nunca.
Ainda me lembro das nossas longas conversas, daquelas conversas sapientes e reconfortantes que atiraram para trás das nossas costas um passado sinuoso. Ainda me lembro das piadas e do som dos nossos risos a ecoar no passar do tempo. Ainda me lembro da partilha de histórias de vida, e conselhos de quem a experiência foi mais amiga.
Ainda me lembro do primeiro dia que te conheci.
E sabes o que mais me abisma? Como a minha vida agora é a conjugação perfeita do verbo ser: Eu sou, Tu és, Nós somos. Completaste o outro lado de mim, o meu lado selvagem e indomável, e é por isso que nos damos tão bem. Não procuras extinguir o fogo do meu olhar, procuras sim, alumia-lo; não procuras pôr pedras no meu caminho, mas sim levanta-las quando me faltarem as forças; não procuras enclausurar-me numa gaiola, mas sim libertar-me das amarras da vida. Procuras acima de tudo fazer-me feliz, e isso consola o meu coração que viveu morto de dor.
Tudo acontece por uma razão, e começo a acreditar que não apareceste por acaso, nem que vais passar sem deixar marca. Sabes como sei que há uma razão para tudo na vida? Porque encontro hoje tudo aquilo que ontem não tive, e procurando onde a minha vida mudou, só encontro um relance de mudança, tu. Foste tu que tudo inovou, e tudo trouxe de volta à normalidade. Foste tu que me trouxeste de volta à tona da água, e não me permitiu afogar a minha identidade. Foste tu que me disseste para ser o que sou sem arrependimentos, que me fizeste encarar o espelho e perceber o valor que tinha.
Sabes, por vezes, quando caminhamos lado a lado, imagino as nossas pegadas na areia. Arquitecto o recorte perfeito dos nossos pés no areal, e vislumbro-o a permanecer inerte depois da lavagem do mar. Continuo a apontar um rasto de pegadas marcadas na areia como em cimento puro. Talvez esta não seja a metáfora mais singela, mas o que quero dizer é que nos imagino fortes e divergentes do banal. Olhamos o mundo como quem olha por um caleidoscópio, deslumbramo-nos com as cores e formas, mas o importante é que as vemos com a mesma intensidade, e isso permite-nos um entendimento mútuo surreal. A capacidade de ver por os olhos um do outro permite sentir o que as palavras não conseguem explicar.
Imagino-nos a permanecer intactos apesar das adversidades da vida, tal como as pegadas se mantinham intocáveis perante o deslize das águas salgadas.
Não deste uma volta à minha vida, acho que a enrolaste em verdade absoluta e me mostraste o Mundo. E agora que o vejo, sorrio permanentemente.
Haverá drogas que causem esta intoxicação que eu sinto, este estado embriagado de felicidade, mas, esses mesmos narcóticos apenas estarão a envenenar o corpo e a mente, enquanto tu, revitalizas aquilo que eu julguei ter morrido antes de nascer.
Não importas, és necessário.
                                                                                                                                     
M.