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18/06/10

Rafeiro.

Não há masculinos ou femininos. Não quero que ninguém enfie carapuças que não tem medida para as suas cabeças.


Sabes qual é o teu mal? É estares demasiado/a habituado/a a teres tudo o que queres. Agora te pergunto: o que é que tu queres? Melhor, o que é que tu tens de valioso? Sim porque entre achares e teres algo de qualidade vai uma diferença daqui até à Lua.
Sabes que mais? Vamos-te deixar viver nesse engano de leda ignorância. Estou, estamos, cansados dos teus “marionetismos” e fantochadas.
Por mim, fazes aquilo que melhor cuidares, e jamais aches que a minha ira se reflecte em interesse por ti, porque de facto esse interesse morreu antes de nascer. A única coisa que me ofende é a podridão que espalhas no Mundo; ages como um cão, um cão que crava os dentes noutros cães mesmo que passado uns dias lhes ande a lamber o cu; um cão que ferra a mão do dono, quando consomes as pessoas como melhor te convém, esquecendo-te que é isso que te torna medíocre.

Sabes que mais? Não desperdiço mais latim com “enlatados”, gente fabricada e sem qualquer pingo de decência nas veias.
Adeus, e cautela, não mordas a tua língua ou morrerás envenenado/a.

18/04/10

Amor de pedra.

A minha vontade era ir já embora. Apagar-te e esquecer-te de vez!

A minha vontade era partir para bem longe, levar a minha bagagem material e pessoal para um destino longínquo.
A minha vontade era arrancar o coração do meu peito e desistir do amor quando ele me coloca obstáculos no caminho!
A minha vontade era fazer-me inapta de sentir, de viver. Mas a vida não é assim, não podemos renunciar o direito de viver, a obrigação de amar, a noção de sentir.
O amor não foi feito para vencidos, mas para vencedores, por isso não posso dar-me por vencida e dizer que te amo. Eu amo-te todos os dias, mesmo quando te faço sofrer, mesmo quando me fazes sofrer, mesmo quando nos matamos mutuamente.
Ninguém é capaz de entender o que já vivemos, a forma louca e transcendente como nos queremos (às vezes até nos próprios nos esquecemos quando nos perdemos em devaneios). Não quero que ninguém entenda o que é o amor autêntico, pois seria como que esperar que todas as sementes crescessem e se tornassem em flores; nem todas as sementes crescem, nem todas as árvores vivem primaveras verdadeiras para florirem; nem todas as pessoas desabrocham o amor.
A realidade é que nunca te varrerei das ruas do meu coração, nunca viverei sem o teu odor, nem sem te ter ao meu lado ao acordar; por isso mesmo que a vida não esteja do meu lado em certos campos, não posso enveredar por caminhos que não te incluíam, mesmo que me dê vontade de desaparecer da face do Mundo tenho de me lembrar que eu sou o teu Mundo, e não te posso tirar o chão onde caminhas.
A vida é deveras fácil, as pessoas é que a complicam; já viver amando é bastante difícil para quem não se dá ao trabalho de batalhar, para quem não se dá ao trabalho de pôr o orgulho e egoísmo de lado para viver num só corpo, com um só coração, uma só vida com um (único) amor.
Meu amor, amo-te todos os dias, mas amar-te não é tarefa fácil. Tens um génio terrível, que teima em espicaçar o meu carácter igualmente horrendo e apesar de apaixonados, somos uns tolos que andamos sempre à cabeçada. Mas acredita quando te digo, senão fossemos assim, as coisas não teriam a sua piada, e o nosso amor não estaria edificado como rocha.

08/03/10

Ilusão dissimulada.

É incrível como o Mundo nos surpreende. Sinceramente nem sei porque me desiludiste tanto – a mim que não passo de uma figurante -, mas desiludiste…

Não devia ter-te atribuído a tarefa de cuidares da minha família, essa é a verdade. É uma tarefa muito árdua para a qual é preciso total entrega.
Acho absolutamente dissimulada a forma como usas e abusas das pessoas, como fazes delas brinquedos; não saberás tu que também tu és um brinquedo às mãos de alguém maior que tu?
Sabes qual é a pena no meio disto tudo? É que já não é contável o sofrimento que causaste, não é calculável o número de pessoas que ludibrias-te.
Sabes qual é a pena no meio disto tudo? É que tu achando que estás a agir em prol do teu coração, não te importas de destruir tudo e todos para atravessares a tua meta, e daqui há uns anos, quando pensares de forma racional, verás se terá valido a pena magoares pessoas para atingir um fim que não é compensativo.
Sabes qual é a pena no meio disto tudo? É tu seres uma marioneta nas mãos de quem quer e não te aperceberes. É seres manuseado como um joguete, e desencadeares um grande “teatro” de fantoches, em que todos se manipulam conforme melhor lhes convém.
Sabes qual é a pena no meio disto tudo? É achares que estás a lutar pela tua felicidade e não perceberes que te estás a enjaular num sentimento de culpa, de dúvida, que pairará em forma de nuvem cada vez que as tuas escolhas não te trouxerem felicidade.
Sabes qual é a pena no meio disto tudo? É não seres melhor que toda aquela gente que criticas.
Sabes qual é a pena no meio disto tudo? Foi teres te perdido no meio da tempestade, e todos nós sofrermos as consequências dos teus actos.

28/08/09

Um toque de seda



Às vezes pergunto-me se ainda correrá o mesmo sentimento dentro de ti. Se
as mesmas palavras entorpecidas de carinho ou as flechas cravadas de dor que
falo ainda te atingem, ainda te deixam ofegante. Depois vejo que não há
perguntas que demore mais de 1 minuto a responder, não tenho dúvidas por mais
que um mero e infame minuto, pois sem ser preciso falar, o teu coração já tão
dotado de perspicácia acena aos teus lábios e quando a dúvida sussurra no meu
ouvido esquerdo, as tuas mãos afastam os meus cabelos e a tua boca aproxima-se
do meu ouvido direito e grita ardilosamente aquela resposta - que só os loucos
que lhe desconhecem a cara, não levam a sério – grita de maneira doce aquilo que
um sussurro não é capaz de atingir. Esbofeteias assim as sombras das dúvidas,
chicoteias os pensamentos que penetram no bem estar de uma felicidade uníssona,
completas um amor de menina, quando me falas: “Amo-te” e me tornas numa mulher
apaixonada.


28/06/09

Semente do Amor


Está a chover, outra vez…
Estou no meu quarto, sozinha, sem ti. Sinto-me nua. O meu corpo está enregelado hoje, talvez por não estares cá, por não me aqueceres com a tua presença.
Estás a trabalhar, a ganhar a nossa vida. Talvez seja egoísta mas a tua ausência assombra-me.
Hoje sou fútil, não tenho ninguém com quem me preocupar porque estás longe, por isso preocupo-me comigo. Odeio o meu modo de ser, o interesse persistente pela minha imagem.
Quer dizer, por um lado até gosto. Caramba! É tão difícil ser mulher!
Cedemos tanto aos desejos, aos pecados, mas talvez seja isso o que é ser mulher. Talvez o mais complicado seja conseguir ser uma grande mulher, moderando a cedência aos desejos e pecados. Por um lado preocupamo-nos com a nossa aparência, apreciamos o processo que lideramos para nos tornarmos belas, mas, por outro lado, há dias que esses tempos que desperdiçamos parecem fúteis, desnecessários, completamente inútil.
Ser eu, é tão difícil em alguns dias. Ter sempre de corresponder a imagem que todos têm de mim, não poder cair…Fartei-me de regras estúpidas de pessoas estúpidas. Eu sou uma pessoa! Tenho o direito a cair, a não me maquilhar, a não sorrir quando estou triste, eu tenho o direito de sair de robe de casa!
Contudo isso nunca te interessou…Sempre quiseste que fosse feliz obstante aquilo que os outros opinavam. Amar-me-ias quer usasse Channel ou Feirex, nunca quiseste saber o que empregava no corpo desde que usasse aquela que para ti era minha melhor vestimenta – o sorriso. Isso sempre foi o que te fascinou, o que deslumbrou a tua alma e algemou o teu coração ao meu.
Sempre me viste como uma mulher, sempre viste para além da maquilhagem, das roupas. Sempre me amaste quer estivesse vestida a rigor, ou acabada de sair do banho. Por isso sei que não poderá existir alguém que me veja da mesma forma transparente e apaixonada, que me ame independente do intemporal.
Depois de tantas manhãs ao teu lado, não desejo outro acordar. Desejo apenas que saias do trabalho e me venhas abraçar; abraçar e curar todas as feridas que o chicote da vida abriu. Desejo ainda amar-te da mesma forma como amava quando aquela nossa “semente” nasceu há um ano; semente essa que germinou a floriu como as flores do Paraíso.
Não desejo mais que aquilo que tenho. Não quero que a chuva pare, quero que perdure, assim como este dia que deixo para trás gigantes que me pesavam nos ombros, e liberto aquele coração esfomeado para te amar.