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29/09/11

Take care of my heart


Querido, abre a porta, entra e senta-te a meu lado.
Desprovê-te de todas as amarras passadas, de todas as memórias que te poluíram a mente e cadaverizaram o teu coração, de todos os medos que outrora impediam a tua alma de se anunciar ao mundo.

Priva os teus ouvidos da surdez social que ensurdece de cegueira o mais tolo dos homens. Abre a tua mente às minhas palavras, pois nelas encontrarás o auge da sinceridade humana, envolta no apogeu sentimental.
Tudo na vida tem uma razão de acontecer, e quem sai ou entra nela fá-lo por razões que só o destino dita.
Vivi toda a minha vida a ensinar, a espalhar ensinamentos tal e qual profeta. Hoje entendo como é importante aprender, pois é na aprendizagem que moldamos a nossa identidade, que adquirimos gostos e “dislikes”, conhecemos mundos e fundos. Posso afirmar que vejo o mundo, vejo o mundo destituído de máscaras sociais e enredos falaciosos; vejo o mundo sem véus ou ardis mentais. Vejo o mundo pelos teus olhos, vejo-me melhor do que nunca.
Todos nós carregamos bagagem, viajamos com as nossas memórias mais traumáticas, mas sabes, isso só nos faz bem. É o peso do nosso passado que nos permite viver um presente mais consciencioso e leve, consentindo a edificação de um futuro assente em fundações sólidas.
O que vivemos não nos torna menos aptos para a felicidade, muito pelo contrário, abre-nos (astutamente) mais caminhos para que a possamos encontrar. Tu foste o atalho num percurso debilitado e demasiado complicado. Mostras-me todos os dias a simplicidade da vida, e ensinas-me a descomplexar aquilo que nunca aprendi a viver como fácil.
Vejo-te todos os dias munido de uma capa, e um colete salva-vidas, vejo-te como um herói de banda desenhada. Não me agrada tomar o papel de donzela em apuros, mas a verdade é que salvaste bem mais que o meu coração, ressuscitaste a heroína que enterrei por falta de amor próprio. E agora que me sinto mais eu, consigo sentir mais de todos os que me rodeiam, sentir mais de ti, e por ti.
Sinto cada pulsar do meu coração, sinto o sangue que vaga a minha alma entorpecida pelo teu amor a percorrer cada milimetro do meu corpo, sinto cada som e odor ensurdecedoramente, sinto-me viva.
Sinto-me tal e qual Fénix reerguendo-se das cinzas pardacentas, sinto-me Eu, e repleta de ti.

Sempre M






08/09/11

Alma, coração e vida.

Estilhaça-me, mas não me partas nunca.
Ainda me lembro das nossas longas conversas, daquelas conversas sapientes e reconfortantes que atiraram para trás das nossas costas um passado sinuoso. Ainda me lembro das piadas e do som dos nossos risos a ecoar no passar do tempo. Ainda me lembro da partilha de histórias de vida, e conselhos de quem a experiência foi mais amiga.
Ainda me lembro do primeiro dia que te conheci.
E sabes o que mais me abisma? Como a minha vida agora é a conjugação perfeita do verbo ser: Eu sou, Tu és, Nós somos. Completaste o outro lado de mim, o meu lado selvagem e indomável, e é por isso que nos damos tão bem. Não procuras extinguir o fogo do meu olhar, procuras sim, alumia-lo; não procuras pôr pedras no meu caminho, mas sim levanta-las quando me faltarem as forças; não procuras enclausurar-me numa gaiola, mas sim libertar-me das amarras da vida. Procuras acima de tudo fazer-me feliz, e isso consola o meu coração que viveu morto de dor.
Tudo acontece por uma razão, e começo a acreditar que não apareceste por acaso, nem que vais passar sem deixar marca. Sabes como sei que há uma razão para tudo na vida? Porque encontro hoje tudo aquilo que ontem não tive, e procurando onde a minha vida mudou, só encontro um relance de mudança, tu. Foste tu que tudo inovou, e tudo trouxe de volta à normalidade. Foste tu que me trouxeste de volta à tona da água, e não me permitiu afogar a minha identidade. Foste tu que me disseste para ser o que sou sem arrependimentos, que me fizeste encarar o espelho e perceber o valor que tinha.
Sabes, por vezes, quando caminhamos lado a lado, imagino as nossas pegadas na areia. Arquitecto o recorte perfeito dos nossos pés no areal, e vislumbro-o a permanecer inerte depois da lavagem do mar. Continuo a apontar um rasto de pegadas marcadas na areia como em cimento puro. Talvez esta não seja a metáfora mais singela, mas o que quero dizer é que nos imagino fortes e divergentes do banal. Olhamos o mundo como quem olha por um caleidoscópio, deslumbramo-nos com as cores e formas, mas o importante é que as vemos com a mesma intensidade, e isso permite-nos um entendimento mútuo surreal. A capacidade de ver por os olhos um do outro permite sentir o que as palavras não conseguem explicar.
Imagino-nos a permanecer intactos apesar das adversidades da vida, tal como as pegadas se mantinham intocáveis perante o deslize das águas salgadas.
Não deste uma volta à minha vida, acho que a enrolaste em verdade absoluta e me mostraste o Mundo. E agora que o vejo, sorrio permanentemente.
Haverá drogas que causem esta intoxicação que eu sinto, este estado embriagado de felicidade, mas, esses mesmos narcóticos apenas estarão a envenenar o corpo e a mente, enquanto tu, revitalizas aquilo que eu julguei ter morrido antes de nascer.
Não importas, és necessário.
                                                                                                                                     
M.


30/08/11

Hello stranger

Tenho acordado extasiada de uma felicidade inconsolável, de uma vontade de viver desmesurada, de uma energia incontrolável. Sei que tudo que me consome se deve a ti.

A vida tem o permanente hábito de surpreender o mais céptico dos homens, e eu fui demasiado céptica durante demasiado tempo.
Agora que vejo para além dos limites do conformismo, que me atrevi a querer mais do que o que tinha, que me dediquei a querer mais que a minha vontade de dar, agora que vejo aquilo que outrora me cegava, agora que te vejo, vejo-me também.
Não há palavras para descrever o que apenas se vive, mas como é bom de viver, como é bom viver semelhante com um semelhante. Atrevo-me a chamar-te diferente, mas diferente num sentido lato, és demasiado diferente dos outros e deveras parecido comigo.
Sabes como isso é tão bom não sabes? Toda a minha vida vivi insaciada com o meu presente, à espera que uma electricidade percorresse o meu corpo e me arrebatasse o coração.
Mas agora sinto cada volt à face da minha pele, vislumbro um fogo no meu olhar, e um bater no meu coração. Estou viva.



17/08/11

Dank

Hoje foi um óptimo dia, não achas M? Caramba como as pessoas se enganam umas em relação às outras. Foste uma boa surpresa, encontrei em ti uma pessoa tão diferente daquilo que estou habituada.
Obrigada pelos sorrisos, e pelas conversas da vida que tão bem me souberam.
Obrigada pela atenção e pela confiança.
Foi de facto entusiasmante ouvir alguém partilhar a sua ambição, a sua paixão de viver.
Comunguei um pouco da tua sabedoria (e da tua loucura) e deixei cair as vendas que me cobriam os olhos. E sabes que mais? A vida neste momento sabe-me tão bem!

Ensaio sobre a cegueira

Esta será a ultima vez que te escrevo.
Pouco me importa se sabem quem tu és, se quem te dá palmadinhas nas costas enfia carapuças. Pouco me importa.
Daqui levas tu (mais os teus) a maior lição de vida. Lições de vida? Sim! Fala-te a voz da experiência, ouve ou não, não pretendo mudar nada, porque tu não és suficiente para mim.
Ao longo do tempo deixaste-te perder. Esta tua faceta tão pseudo-feliz, e recém-descoberta, dá-me muita pena. Não tenho senão pena e tristeza pelo ser humano que te tornaste.
Já não é honestidade que rasga na tua boca, mas sim falsidade de quem quer ser feliz sem nada. O que julgas tu que tens? Amigos que pouco sabem a pessoa que és, ou que te tornaste? Pessoas a quem teceste duras criticas? Trausentes da vida, que te alimentam o ego para não teres de encarar quem és? Lamento que precises disso para te achares melhor, realmente lamento muito. Quase tanto como lamento a tua coragem para ir atrás de ir atrás de quem não te é nada, e a tua covardia, envolta nesse orgulho tão decadente, em deixar para trás tudo aquilo que dá demasiado trabalho. 
As melhores coisas da vida custam, envolvem luta, mas desistir sempre foi o teu forte. Já eu gosto de dinâmica, ambição e objectivos para mim não são marcos vitalícios, são conquistas permanentes. Com o tempo começo a lembrar-me da quantidade de promessas que me dirigiste, nas inumeras coisas que tentaste fazer, e depois vejo que nada concretizaste, e pergunto-me: "Foi isto um ensaio sobre a cegueira?". Ensaiste tão bem a tua personagem, de forma maquiavélica e tão retorcida. Como lamento. 
A vida é feita de erros, e o meu maior (agora vejo) foi dar tanto de mim, tanto amor a uma pessoa que me ludibriou com artificios de mente ao longo do tempo. Se outrora a cegueira me trazia sofrimento, hoje so me traz ódio e força de vontade. Sabes porquê? Porque eu não preciso de me rebaixar ao ponto morto, não preciso de me fazer de pedra e muito menos de pedir a mão a quem cuspi (com convicção) na cara.
A partir do momento que deixamos a nossa integridade e convicções de lado para abraçar caminhos que nada têm a ver connosco, a partir do momento que precisamos de alimentar a nossa crença que "estamos bem" com demonstrações públicas, a partir desse momento deixamos de enganar os outros, e passamos a enganar a nós próprios. Talvez a palavra "outros" seja muito relativa, porque quem tu enganas neste momento não é só a ti mesmo, mas sabes que mais? Não é um problema meu.
Acredita que não te faço falta, que não me amas, que és mais feliz agora, fá-lo. Pega nos teus troféus ridiculos e exibi-os com a maior das vontades, fá-lo. Faz tudo o que quiseres, porque eu sem nada fazer sou bem melhor que tudo isso. Dei-te tudo e mais alguma coisa, e tu sabe-lo, e isso chega-me. A minha consciência vai mais que limpa, e isso vai ser a chave de um futuro próximo.
E aqui está um adeus eterno, não há volta nem retoma. Não volto a cair no erro de me deixar envolver nos braços da falsidade. São costumes teus, não meus.
Eu, vou fazer exactamente aquilo que me disseste. Vou para a faculdade, vou ser feliz. Puseste demasiadas pedras no meu caminho, quando eu me fartei de levantar as tuas. Sou bem mais do que o que julgas, sou uma grande mulher. E se te faz mais feliz dizer aos outros que não sou, fá-lo. Porque quando olhas ao espelho tu sabes bem quem lá está, sabes bem quais são os teus demónios.
Desejo-te muita sorte, porque se realmente és esta pessoa, sorte vai ser uma necessidade bem grande.
E a mim, desejo perserverança, porque a vida ainda vai ser muito generosa comigo. Sabes é que eu aprendo com os meus erros, e daqui em diante não darei nada antes de receber primeiro.

Adeus.